Ato Final
Foi logo assim que olhei pro céu Que meu coração viu uma estrela. Meu barco eis que singrei ao léu Deixando pra trás minha cidadela. Sem saber o destino de onde ir Apenas deixei seu brilho me guiar, Intrigado pelo que havia de vir, Mas certo de um dia te alcançar. E se o que foi não haveria de ser Bem assim é que o dia me traiu. A Lua, sublime, nada pode fazer, E à certeza do sol logo sucumbiu. O sonho do marinheiro era uma ilusão, Pois é, Iemanjá, a única rainha do mar. Ao som das ondas, é a dança da solidão Que eu, sozinho, pra sempre vou dançar.
Escrito por Piero às 23h47
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Canto do Morro
Aqui do Palácio da Estação Primeira já mandei chamar o capitão. Falei que hoje já é quase sexta-feira, temos que fazer uma canção. Coloquei minha viola nas costas, desci o morro em busca de emoção. No caminho fiz as minhas apostas, entre o swing da bossa e minha razão. Quando cheguei lá no Maracanã, vi que o dia era bem mais que isso daí. Resolvi cair no samba da vida vã, e até da chuva de verão eu me esqueci. Virei artista do momento foi por acaso Não sabia poesia, nem verso, nem rima. Do dia-a-dia do povo sofrido lá de cima Cantei apenas a alegria de coração raso.
Escrito por Piero às 17h01
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O dia em que o bar fez um samba
Quem há de contar vantagem das horas que fizeram do amor apenas uma doce chantagem para aqueles que fogem da dor? Quem vai por ai buscar meu coração, enquanto eu estiver aqui, sozinho, perdido em mais uma nova paixão narrada na velha vitrola do vizinho? Quem vai chamar o garçom à mesa, quando a cerveja não for o bastante para apagar da lembrança o restante da saudade que aparece de surpresa? Espero alguma resposta pro meu lamento. sentado na mesa, acompanhado da cadeira, brindo à vida com samba, à minha maneira, fazendo da viola a fina voz do meu alento.
Escrito por Piero às 09h53
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Meu Samba Triste
Baden Powell, meu irmão, meu camarada, cadê você? Ando precisando de um amigo na mesa de bar! Tentando não lembrar, eis que não consigo esquecer o pequeno detalhe, o sorriso, a hora, o olhar! "...Saudade, resto de amor, do amor que não deu certo..." No peito somente a dor, A dor de não estar por perto. Manda chamar também o Vinicius. Poeta, poetinha, ele sempre tem toda razão. Hoje vamos arrendar essa minha paixão para a boemia e mil outros vícios. Entre uma nota, um batuque e outro gole, Vou ali ver a aurora sair de casa. Esconder-me para que a saudade não amole tornando toda garrafa na mesa rasa. E quando voltar pela madrugada fria, quase gelada, Um pouco mais bêbado, um pouco menos triste, e perceber que a saudade teimosa ainda persiste, meu coração vai dormir com mais um pouco de nada.
Escrito por Piero às 11h16
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Carpe Diem? Mendacium...
Aproveitar o momento? Mas aproveitar com quem? De nada adianta o tento Se a resposta não é alguém...
O momento cabe em si como uma realidade vazia Não há alma que não ri Nem música sem melodia.
Enquanto culpamos a vida Não percebemos a realidade entre um sinal e a avenida.
Enquanto não houver saudade entre o reencontro e a partida, Haverá amor em paz de verdade?
Escrito por Piero às 22h36
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Novembro
Nesse calor abandonado pelo dia outrora devorado Eu revejo fotos quaisquer de laços, afetos e relatos de um eterno mal me quer. Não sei ao certo o que é certo: Não vejo remédio ante ao tempo Pra logo estar ai por perto. Assim, preso nesse tal mês, Brinco de arte poli hipotética E treino meu parco javanês. Já que a vida teima em ser cética, Que ela faça tudo pelo freguês: O sorriso dos sonhos por esperar, O motivo da espera por sonhar, E a hora tardia de ir nunca chegar.
Escrito por Piero às 11h03
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Café com a Boêmia...
Naquilo que resta, eu me compadeço. Entre as migalhas de João e Maria, construo a minha estrada no avesso de um sonho dormido de padaria. No café que passou pelo fim do dia, compartilho o amargor da vida. Na ausência da tua escova na pia, procuro aspirina pra curar partida. Na sala, o tic tac segue sua batida, ora a saudade, ora copo na boêmia. Eu fujo na minha viola tão fingida entre um samba, choro ou poesia. Na esperança que você volte, arredia. Bata nos cascos e fale que mereço. Digo que faço tudo, e até amanheço para recordar um amor que ainda não sabia...
Escrito por Piero às 12h25
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Arroz sem feijão
Nasci para crescer, Cresci para aprender E aprendi a amar. Amei. Se foi o que havia de ser? Não o saberei. Já brinquei demais por hoje. Amanhã, eu volto para o Play. A vida? Ela segue. Por onde? Não sei...
Escrito por Piero às 13h02
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A Sabedoria da Espera
Eu gosto de portinhas. Agrada-me a sensação de, atrás da pequenez daquilo que vejo, deparar-me então com a imensidão da surpresa positiva. Nunca me encontrei nesses lugares grandiosos, onde tudo é uma tentativa de fazer parecer. Em dias onde tudo muda, essa é uma das coisas que permanece a mesma na minha vida. Mas não quero falar da zona de conforto. Daquilo que sei que será igual amanhã pela manhã: Coca-Cola, a inflação e os impostos. Quero falar do que nunca pára de mudar, e que mudando sempre me traz novidades. Até algum tempo atrás, sempre achei que esse ditado “se você ama alguém, é preciso libertá-lo” fosse uma grande besteira. Afinal, se você ama alguém, tem que lutar, tem que ir atrás, tem que brigar pelo seu sonho. Mas afinal, pelo que brigar? Amor não é uma fortaleza a ser conquistada. Amor, no fim do dia, é aquele bichinho que volta porque sabe que você vai alimentá-lo quando precisar. Não que isso seja um sinal de carência, ou de interesse. É, antes de tudo, um voto de confiança. Quem ama, reconhece o que carrega no peito naqueles sutis momentos de ausência. Quando o elevador fecha a porta e você está sozinho ou quando o trânsito está horrível e na rádio não tem nada que preste. Eu sempre achei, no auge da minha arrogância travestida em confiança, que pudesse iluminar seu coração com todas as maneiras que tenho e invento para demonstrar o meu amor. Que seria impossível você não se contaminar quando eu transpiro por todos os poros esse bem querer por tudo aquilo que você é e que pode ser. Não funcionou. E agora entendo que o bom vinho recompensa aqueles que têm a paciência para aguardar que ele assente na garrafa e, com o tempo, se transforme em algo muito melhor. Eu quero respeitar o tempo. Quero aprender a valsar de acordo com o seu passo. Talvez isso também não funcione, mas a vida é esse denominador comum entre tentativas, erros e acertos.
Escrito por Piero às 00h20
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Prosopopéia
Espelho, espelho meu... “Tempo saia já por essa janela Para nunca, nunca mais voltar. Teremos festa e noite na banguela E eu jamais vou me apaixonar!” Cansei dessa vida de Romeu...
Escrito por Piero às 11h16
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A melodia dos meus sonhos
Você... Pequena ambição de vontade, minha fonte de toda felicidade, a paz imersa na simplicidade. O que... Acontece quando o silêncio balbucia essa canção? A TV muda enobrece as batidas do seu coração? O ventilador salva a fraqueza afoita da nossa razão? Por quê... Eu sonho quando dorme em meus braços? Sorrio enquanto penso em nossos abraços, e canto meu coração presente em seus laços? Vai ver... Que gosto quando me faz perder o rumo e a rima, adoro quando o seu beijo afoito morde meus lábios, e amo sua sinceridade nervosa afagando minha mão. Ou então... Será simplesmente o amor e aquilo que eu nem sei mais, que eu nem sei mais...
Escrito por Piero às 15h21
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Tom, você e mais horas
Mas enquanto você não vem, Durmo encolhido em meu coração. Olho pro céu, fito entre tantos o além Querendo que meu sonho tenha razão. Eu sou, sem muito, aquilo que você é pra mim: Uma certeza que não precisa de razões para ser; Uma noite que segue, seja o dia não ou sim; Um momento em que meu amar talvez seja teu sofrer.
Escrito por Piero às 23h42
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Tom, você e as horas
Eu te quero pelo bel prazer dos meus versos, Enrolados em seda pura de vidas sem complexos, Rodando no ar em torno de rostos perplexos, Sentados na rua entre meus desejos perversos. Eu te quero pelo dia-a-dia das minhas frases, Sedentas de inspiração cor do seu sorriso, Erradas e divertidas como A mais A sem crases, Perdidas e coloridas como criança sem juízo. Eu te quero na razão sem moral das horas assim, Alheias na ilusão do instante que não tem fim, Sabendo que na melhor das festas que você é pra mim Há sempre um lugar para dançarmos ao som de Jobim.
Escrito por Piero às 17h14
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Boa noite em claro
Boa noite é uma expressão sem sentido quando se dorme sozinho. Será uma noite como todas as outras, deitar, esperar, dormir, acordar e continuar vivendo em um mundo no qual ninguém se importa de verdade com nada que esteja além do que o umbigo pode sentir. O silêncio do meu quarto escuro me dá o conforto de saber que não haverá nada que me preocupe ao menos pelas próximas cinco ou seis horas na qual estarei imerso em um mundo do qual eu nunca me lembro. Ao menos estarei longe da hipocrisia das inventivas dos livros de auto-ajuda, das psicologias e das sociologias que tentam explicar o fato de que se houver perigo, iremos nos preocupar apenas com a nossa própria pele. Lá fora, ouço barulhos esparsos e irregulares de carros e motos que trafegam madrugada afora na rua... para onde todos eles vão? Vivemos imersos em um mar de acasos e estamos tão preocupados com um conta-gotas que sequer percebemos a opressiva imensidão à nossa volta. Eu ouço falarem de amor todos os dias, mas não acredito que as pessoas saibam muito sobre ele... para mim, o amor no mundo é como os ET’s e os fantasmas: quase todo mundo conhece, todo mundo fala a respeito, todos têm a sua opinião formada, alguns dizem já ter visto ou vivenciado alguma história a respeito, mas ninguém tem nada conclusivo para dizer. No fim, restam as comédias românticas, as seitas fanáticas e as alucinações coletivas. O que se vê na sociedade não é nada que me faça crer mais no amor. As festas nas quais homens e mulheres buscam saciar os prazeres da carne através de beijos molhados, drogas lícitas, drogas ilícitas e momentos que não serão lembrados logo pela manhã. Pessoas que juram cumplicidade sobre um altar lindamente decorado na frente de centenas de pessoas, mas que meses depois mal conseguem viver sob o mesmo teto. E a paixão que outrora consumia corações, rompia barreiras, alimentava sonhos e arrancava suspiros, lentamente transforma-se em insatisfações, casos, amantes, pensões alimentícias e filhos criados por pais separados e odiados reciprocamente. Cazuza dizia que os seus heróis haviam morrido de overdose. Os meus sequer haviam nascido. Eles ainda estavam por vir, ainda estavam por aparecer para mudar o mundo, para criar uma nova ordem, acabar com a fome, semear a paz mundial, iniciar a evolução espiritual do ser humano e começar a era do alvorecer de uma nova humanidade. Estavam. E ainda estão. Assim como eu aguardo a vinda dos meus heróis, muitos anseiam a chegada do Messias e outros simplesmente esperam por Godot enquanto eu mantenho minha fé nas coisas. Principalmente nas pequenas e cotidianas. Aqueles que se apegam aos grandes feitos não compreendem que a sabedoria está no aprendizado, e que o aprendizado não surge de grandes momentos, mas sim de pequenas frações de tempo que compõem infindos acasos ao nosso redor. É a observação contínua desses pequenos detalhes que desvenda os mistérios do nosso viver, e esses sim são os grandes momentos. Mas o grande nada mais é do que muitos pequenos. Nesse momento, muitas pessoas estão brigando, outras estão se reconciliando, alguém está casando, alguém está saindo de casa. Alguém nasceu, alguém morreu. A vida pode ser tão banal e ao mesmo tempo tão preciosa. A perspectiva é a chave de tudo. O que é seu, o que é meu, o que é nosso e o que não é de nenhum de nós. Nesse momento, assim como ontem, e assim como provavelmente será amanhã, eu procuro alguém. Não que eu saia pelas ruas olhando para cada um, não que eu coloque anúncios no jornal e chamadas no intervalo dos jogos de futebol. Eu não acredito nas grandes coisas, e muito menos em perder e encontrá-las. A busca eterna está dentro de mim mesmo. Nada de Segredo, de pensamento positivo, de dieta de South Beach. Eu sei que aquilo que eu for, será o prenúncio daquilo que virá. Não espero por um atenuante para a solidão. Estar sozinho e em paz é um dom que a vida me permitiu, e que apenas alguém que traduza meus sentimentos, e não minhas expectativas, pode me privar. Eu poderia borrifar elementos da fascinação no ar e dizer que eu procuro a dona do meu coração, a mulher que fará meus suspiros extensos, minhas saudades verdadeiras, minhas ações reflexos da tentativa de lhe ser um homem melhor. Que eu quero dormir para vê-la acordar, que eu quero que ela seja a mãe dos meus filhos e que nossos filhos levem nossos netos quando formos valsar em comemoração aos nossos 50 anos de história e companheirismo. Que eu quero vê-la sorrir quando eu fizer surpresas, que eu quero suas lágrimas de emoção quando eu lhe disser as palavras que somente eu saberei. Que eu lhe serei atento e fiel em tudo, e que eu quero desfrutar tudo aquilo que a vida haverá de oferecer e que apenas a morte poderá cessar. Todas essas seriam palavras do meu coração, e com sentimento nos seus tons e nas suas letras. Mas o que toca o coração, nem sempre sacia a alma, e o que realmente pesa é que eu procuro por uma mulher que esteja disposta a enfrentar o mundo comigo. Que esteja preparada para jogar a verdade no meu rosto quando a soberba arrendar meus atos. Que entenda os meus defeitos e saiba que eles são parte também daquilo de bom que eu tenho. Que não me deixe descansar, e que sempre me desafie a ser alguém melhor, não no mero sentido de ser mais, mas sim no nobre sentido de tentar ser além. Que me deixe chorar, que me faça rir, que dance ao som que entra pela janela, que fique brava com a toalha em cima da cama, que mate ou faça morrer por um chocolate num dia de tédio, que me olhe pelo canto do olho no carro, que sorria, que solte pragas quando o salto do sapato quebrar no meio da rua, que não goste de alguma banda que eu adoro e que, por tudo que eu sempre tento ser, seja apenas ela mesma. Talvez haja esperança demais nos meus vinte e poucos anos. Talvez haja mais do que meus vinte e poucos anos na esperança que eu deposito na vida. Talvez seja um pouco de cada um, ou nenhum deles. O que importa é que meus ideais sempre foram puros, e eu sempre me importei com o que jaz além do meu umbigo para alcançá-los. E que enquanto eu for uma responsabilidade demasiadamente grande, eu irei continuar desfrutando do dom da minha solidão.
Escrito por Piero às 00h12
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Ugly truths
You know, lots of people use to say that “the more things change, the more they stay the same”. Sometimes, I keep thinking if I should believe this, give of things and just conform myself, as everybody else does. Maybe it is true that, somehow, things change so much that they come to an end their very beginning. I can understand that. Perhaps our wishes to change things that much are worth to show us that when we want everything, we end up with nothing at all. But. And I have to say but, what about all those little lessons that we learn while life goes on changing. What about the smiles that you give, the laughs that you take, the tears that you drop. Who can take them back to what they were? I guess that Time could do it, but he is currently very busy going on to think about coming back. For all that matters, I have said wrong words in difficult moments and I have done bad things when people needed me. Time will not take back that with him as well, but he might have left something to me, so I can remember of what did – or what I didn’t do: Regret. Yes, I know several philosophers will say: “Regret of what you didn’t do”, but for me this is just a bunch of old frozen crap. Everybody regrets of something or someone, and who says that does not, well, it is just a liar. Between bad mood days like those, that might become a really sad truth. But, you know, it is not! Of all those things that we don’t value because they are ugly or just stink, Regret is at top of then. Regret makes you suffer, wake up in the middle of night, not being able of sleeping at all, depressed, enraged and what else more it can be. But. And here come this old but again: It makes you learn. Regret is nothing else than the feeling that, if we had a second chance, we would not act the same way we did in the past. This, my friends, is learning. What is life more than living and learning? It does not get better than that, trust me. So, if you ask me again: Do I think that I should stop trying to make things better by changing them, just because in the end I will come to the conclusion that they will stay the same they were when I started? I will say: Hell, no. They can stay the same. But I won’t. And I guess this is just one of those ugly truths we ought to hear…
Escrito por Piero às 22h29
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